Manejo de Resistência - Arysta LifeScience
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Resistência de Plantas Daninhas

O problema

A resistência de plantas daninhas é um dos principais problemas que afetam a agricultura global e precisa ser tratado com responsabilidade. As consequências ao produtor e sua lavoura são graves quando não controlado da forma correta. Aqui explicamos o que faz uma planta daninha ser resistente, como esse problema surgiu, qual a importância do manejo e a melhor maneira de fazê-lo.

O que é e como surge

As plantas, diferentes dos animais, não são capazes de se deslocarem para um local que ofereça melhores condições para sua sobrevivência e reprodução. Contudo, apresentam capacidade de se adaptarem a diversos ambientes, graças à variabilidade genética existente entre as espécies e entre os indivíduos de uma mesma espécie.

Quando são submetidas a algum estresse, essa variabilidade permite que alguns indivíduos sobrevivam e produzam descendentes. Caso esse estresse ocorra repetidas vezes, o número de indivíduos adaptados aumenta, enquanto que os sensíveis desaparecem do ambiente com o passar das gerações. 

A resistência de plantas daninhas ocorre por essas razões, sendo que os herbicidas fazem o papel de agentes de seleção, ou seja, são os causadores de estresse. Naturalmente já existem na natureza plantas capazes de sobreviver à ação de determinados herbicidas. Se a aplicação do produto for realizada várias vezes seguidas, sem a alternância com outro herbicida ou método de controle, a quantidade de plantas resistentes tende a aumentar até que seja maioria.

É de extrema importância deixar claro que os herbicidas não causam as mutações genéticas nas plantas, eles apenas selecionam entre as resistentes e as sensíveis. Sendo assim, é possível afirmar que existem plantas daninhas resistentes à herbicidas que ainda não foram descobertas.

A ocorrência de resistência das plantas aos herbicidas e a velocidade na sua dispersão depende de vários fatores. Entre eles estão os fatores genéticos, bioecológicos  e agronômicos.

Os fatores genéticos dizem respeito a frequência inicial da mutação que confere resistência, características da herança da resistência, tipo de fecundação e fluxo gênico; Os bioecológicos estão relacionados com as características do ciclo de vida das plantas daninhas; E os fatores agronômicos estão ligados ao herbicida e ao manejo, que podem ser conduzidos de forma positiva ou negativa, dependendo das técnicas utilizadas.

Alguns dos fatores agronômicos que favorecem a ocorrência e dispersão da resistência são a utilização exclusiva do método químico, a falta de rotação de culturas e de herbicidas, a permanência de escapes e de períodos de pousio, uso de sementes não certificadas e o fluxo de máquinas entre lavouras.

Abaixo, você poderá conferir mais alguns dos fatores que afetam a evolução da resistência das plantas.

FATORES GENÉTICOS

  • Frequência inicial da resistência;
  • Dominância dos alelos resistentes;
  • Tipo de fecundação;
  • Número de alelos resistentes;
  • Adaptação ecológica.

FATORES BIOECOLÓGICOS

  • Espécie;
  • Número de gerações por ano e taxa de reprodução;
  • Longevidade das sementes no banco de sementes;
  • Densidade da espécie;
  • Suscetibilidade da planta daninha ao herbicida.

FATORES AGRONÔMICOS

  • Característica do herbicida;
  • Grupo químico;
  • Residual;
  • Eficiência de controle;
  • Dose utilizada;
  • Práticas culturais;
  • Utilização exclusiva de herbicidas no controle de plantas daninhas;
  • Uso repetitivo do mesmo herbicida ou mecanismo de ação;
  • Frequência da aplicação;
  • Sistema de cultivo.

(Adaptado de HRAC-BR, 2008)

 

A resistência de plantas daninhas no Brasil e no mundo

O método químico é o mais utilizado para o controle de plantas daninhas, uma vez que é rápido, prático e eficiente, possibilitando o controle seletivo. A sua utilização começou no final da década de 1940, e o sucesso no combate às plantas daninhas fez com que nos anos seguintes tivesse uma alta taxa de adoção dos herbicidas, surgindo logo após casos de resistência.

O primeiro caso mundial de resistência foi registrado em 1957, em plantas de cenoura selvagem (Daucus carota) que resistiram ao herbicida 2,4-D. Atualmente, existem 480 casos (espécie x local de ação) de resistência registrados no mundo, incluindo 252 espécies, sendo 105 monocotiledôneas e 147 dicotiledôneas. Esses casos compreendem plantas daninhas que infestam 91 culturas, incluindo trigo, milho, arroz, soja, cevada, pomares, canola e algodão, distribuídos em 67 países. No Brasil existem 44 casos de plantas resistentes aos herbicidas.

NÚMERO DE CASOS

Fonte: Adaptado de Heap (2017)

A importância do manejo de resistência

As plantas daninhas são um dos principais problemas limitantes da produtividade das culturas. As perdas podem chegar a 80%, além da redução da qualidade da produção. E o problema se agrava quando há na lavoura a presença de plantas resistentes a herbicidas, uma vez que é o principal método de controle utilizado. 

Os principais problemas envolvem a resistência ao glifosato, herbicida mais usado no mundo. Justamente pela sua grande adesão é que a resistência ao glifosato foi selecionada e rapidamente dispersa. No Brasil, existem oito espécies resistentes a esse princípio ativo, incluindo três espécies de buva (Conyza bonariensis, C. canadenses e C. sumatrensis), capim-amargoso (Digitaria insularis) e azevém (Lolium multiflorum).

Uma vez que a resistência esteja presente na lavoura, a dinâmica de manejo deve ser alterada para obter um controle mais efetivo, com introdução de novos herbicidas, mecanismos de ação e métodos de controle. Tais medidas são consideradas reativas, pois são adotadas após o problema aparecer. Este é o principal comportamento dos produtores: combater a resistência ao invés de preveni-la.

Antes mesmo de o problema existir na lavoura, o produtor deve utilizar técnicas que desfavoreçam a resistência, as quais estão listadas logo abaixo.

Ação proativa Consequências

Limpeza de áreas não cultivadas (beiras de estradas e cercas)

Reduz a introdução de sementes na lavoura

Limpeza de maquinários

Previne o fluxo de sementes entre lavouras

Uso de sementes certificadas

Previne a entrada de plantas daninhas juntamente com as sementes da cultura

Controle de plantas jovens

Melhora a eficiência dos herbicidas

Previne a produção de sementes das plantas daninhas

Controle em pós-colheita

Reduz a alimentação do banco de sementes na entressafra

Adoção da rotação de culturas

Aumenta a cobertura do solo e alelopatia

Proporciona a rotação de métodos de controle

Permite a rotação de herbicidas de acordo com a seletividade para a cultura

Rotação de métodos de controle 

Controle por métodos não-químicos

Monitoramento e remoção de escapes

Previne a reprodução inicial de indivíduos resistentes

Rotação de ingredientes ativos e mecanismos de ação

Controle de eventuais descendentes e plantas resistentes que sobreviveram à aplicação anterior

Uso de misturas de ingredientes ativos

Atuação em mais de um local de ação da planta, reduzindo as chances de sobrevivência

Aplicações sequenciais de herbicidas

Complementa o controle obtido pela primeira aplicação, reduzindo a possibilidade de ocorrência de escapes

Adequação da tecnologia de aplicação

Permite que a dose ideal atinja o alvo, reduzindo as chances de sobrevivência

É importante prevenir e tratar este problema com responsabilidade. Embora todas as ações proativas descritas na tabela acima sejam fundamentais, a rotação de herbicidas e mecanismos de ação são imprescindíveis para que a resistência não se estabeleça nas lavouras.